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Aula de prévia

O material mínimo para começar a aguarela

25 minutos · Aguarela do zero: pinta os teus primeiros três postais

No fim desta aula vais ter uma lista de compras curta e certa, o teu posto de trabalho montado e o primeiro postal preso à tábua, pronto a pintar. Vais perceber porque é que o papel decide mais do que as tintas e onde não vale a pena poupar.

O papel é o material mais importante

Na aguarela, a tinta é pigmento com um aglutinante, diluído em água. Tudo acontece no papel: a água espalha-se, o pigmento assenta nas fibras, a folha seca. Papel fraco enruga, faz poças e deixa manchas duras, e nenhum pincel caro resolve isso.

O que procurar:

  • Gramagem de 300 g/m². É o valor de referência para aguarela. Papel mais fino (200 g/m² ou menos) ondula muito com a água. O número vem na capa do bloco.
  • Papel próprio para aguarela. A capa diz "aguarela" ou "watercolour". Papel de desenho ou de fotocópia não aguenta água.
  • Grão fino. Há três acabamentos: satinado (liso, prensado a quente), grão fino (ligeira textura, prensado a frio) e grão grosso. Começa pelo grão fino: perdoa mais e mostra bem as técnicas.
  • Algodão ou celulose. O papel 100% algodão absorve de forma mais uniforme e aguenta mais correções, mas é mais caro. Para aprender, um bloco de celulose de 300 g/m² serve. Se puderes, guarda algumas folhas de algodão para os postais finais.

Um postal A6 mede 10,5 × 14,8 cm, por isso uma folha A4 dá quatro postais. Basta comprar um bloco A4 e cortar.

Pincéis: três chegam

Não precisas de um estojo de doze. Precisas de:

  • Um redondo médio (n.º 8 ou 10, conforme o fabricante) com boa ponta. É o pincel principal: faz aguadas pequenas e linhas.
  • Um redondo pequeno (n.º 2 ou 4) para detalhes: ramos, uma janela, um barco ao longe.
  • Um plano com cerca de 2 cm de largura para molhar o papel e pintar céus.

Pelo sintético próprio para aguarela é suficiente. Testa na loja, se deixarem: molha o redondo e sacode-o. Se a ponta volta a ficar afiada, serve. Se abre em leque, não.

Pastilhas ou bisnagas

  • Pastilhas: a tinta vem seca em pequenos recipientes numa caixa. São práticas, levas a caixa para todo o lado e nada se estraga. Para as ativar, pinga uma gota de água em cada cor um minuto antes de começar.
  • Bisnagas: tinta húmida, mais fácil de dar cor intensa em áreas grandes. Espremes pouco para a paleta; o que sobra seca e volta a usar-se com água.

Para começar, escolhe uma caixa pequena de pastilhas ou três a cinco bisnagas. Mais importante do que o formato é a qualidade: tintas muito baratas têm pouco pigmento e ficam desmaiadas. Na aula 4 vais misturar quase tudo a partir de três primárias, por isso não precisas de 24 cores.

Cores sugeridas:

  • um amarelo frio (tipo limão)
  • um vermelho-magenta ou carmim
  • um azul ultramarino
  • opcional: um castanho (siena queimado) e um azul esverdeado

O resto do posto de trabalho

  • Fita de papel crepe (fita de pintor): prende a folha e cria uma margem branca limpa.
  • Uma tábua rígida um pouco maior do que a folha: contraplacado, cartão grosso ou um tabuleiro.
  • Dois copos de água: um para lavar o pincel sujo, outro com água sempre limpa para diluir. É o hábito que mais evita cores sujas.
  • Paleta branca: um prato de louça branco serve perfeitamente.
  • Papel de cozinha ou um pano de algodão para tirar água ao pincel.
  • Lápis HB e borracha macia.
  • Uma tira do mesmo papel para testar cores antes de pintar.

Montar a mesa e fixar o papel

Passo 1: disposição

Se és destro, põe água, paleta e papel de cozinha à direita; se és canhoto, à esquerda. Assim nunca passas o pincel molhado por cima do trabalho.

Passo 2: inclinação

Levanta a parte de cima da tábua 3 a 5 cm (um livro por baixo chega). A tinta escorre suavemente para baixo e as aguadas ficam mais uniformes.

Passo 3: fixar

Coloca o papel na tábua e cola fita nos quatro lados, metade no papel e metade na tábua. Passa o dedo com força ao longo da fita para a selar. Se não estiver bem colada, a água entra por baixo e deixa bordas manchadas.

Passo 4: tirar a fita

Só quando a pintura estiver completamente seca. Puxa devagar, num ângulo baixo, afastando-te da pintura. Se a fita estiver a arrancar fibras, aquece-a um pouco com um secador de cabelo e tenta de novo.

Resumo: gasta no papel, poupa em tudo o que já tens em casa.

Exercício

  1. Faz o inventário do que já tens em casa (prato branco, copos, fita, tábua) e escreve a lista do que falta, com gramagem e tamanho do papel.
  2. Corta uma folha A4 de aguarela em quatro postais A6 e guarda uma tira de outra folha para testes.
  3. Fixa um postal à tábua com fita nos quatro lados e monta o posto com os dois copos, a paleta e o papel de cozinha do lado da mão com que pintas.
  4. Com o pincel plano e água limpa, molha o postal todo, deixa secar e tira a fita.

Como sabes que correu bem: depois de seco, o postal está quase plano, a fita sai sem rasgar o papel e deixa uma margem branca direita nos quatro lados.

O restante fica na tua biblioteca.

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