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Aula de prévia

O que consegues ver no céu a olho nu esta noite

25 minutos · Astronomia do zero: encontra estrelas, planetas e a Lua a olho nu

No fim desta aula vais saber o que é cada ponto de luz que vês no céu à noite, medir distâncias no céu só com a mão e fazer a tua primeira observação de 20 minutos, registada num caderno. É o primeiro passo do projeto deste curso: um plano de observação para os próximos 12 meses, feito para o sítio onde vives.

Não precisas de telescópio para começar

O erro mais comum é achar que a astronomia começa com a compra de um telescópio. Começa com os olhos. A olho nu, num céu razoavelmente escuro em Portugal, consegues ver:

  • A Lua, com manchas escuras (os "mares") visíveis sem nada.
  • Cinco planetas: Mercúrio, Vénus, Marte, Júpiter e Saturno.
  • Milhares de estrelas num sítio escuro; numa cidade, algumas dezenas.
  • A Via Láctea, uma faixa esbranquiçada, só longe das luzes e sobretudo no verão.
  • Estrelas cadentes (meteoros), satélites e a Estação Espacial Internacional.
  • Um objeto fora da nossa galáxia: a Galáxia de Andrómeda, como uma manchinha difusa, em céu escuro no outono.

Como distinguir o que vês

Estrela ou planeta?

Regra prática: as estrelas cintilam (tremeluzem e, perto do horizonte, até mudam de cor); os planetas brilham com uma luz mais firme. Não é infalível, porque rente ao horizonte até um planeta cintila, mas ajuda. Outra pista: os planetas andam sempre na mesma faixa do céu por onde passam o Sol e a Lua, a eclíptica. Um ponto muito brilhante e firme nessa faixa é quase sempre um planeta.

Avião, satélite ou meteoro?

  • Avião: luzes a piscar, muitas vezes vermelha e verde, e às vezes ouve-se.
  • Satélite: ponto de luz constante que atravessa o céu em alguns minutos, sem piscar. Às vezes desaparece de repente, ao entrar na sombra da Terra. Vês mais nas duas horas depois do pôr do sol e antes do amanhecer.
  • Estação Espacial Internacional: parece um satélite, mas mais brilhante do que qualquer estrela. Atravessa o céu em poucos minutos.
  • Meteoro: um risco de luz que dura uma fração de segundo. É um grão de poeira a arder na atmosfera, não uma estrela.

Brilho: a escala de magnitudes

Os astrónomos medem o brilho com a magnitude, uma escala ao contrário: quanto menor o número, mais brilhante. Algumas referências aproximadas:

  • Lua cheia: cerca de −12,7.
  • Vénus no seu melhor: cerca de −4,5.
  • Sírius, a estrela mais brilhante do céu noturno: cerca de −1,5.
  • Estrela Polar: cerca de 2.
  • Limite a olho nu num céu muito escuro: cerca de 6. Numa cidade: muitas vezes 3 ou pior.

É por isso que numa cidade as constelações parecem "desaparecer": só sobram as estrelas mais brilhantes.

O céu roda

A Terra roda sobre si mesma, por isso o céu parece rodar à volta de um ponto junto à Estrela Polar, cerca de 15° por hora. As estrelas nascem a leste e põem-se a oeste, tal como o Sol. Virado para sul, vês tudo a deslizar da esquerda para a direita. Experimenta: às 22h escolhe uma estrela junto a uma antena ou árvore e volta a olhar às 23h. Mudou de sítio.

Medir o céu com a mão

Com o braço bem esticado:

  • Largura do dedo mindinho: cerca de 1°. A Lua cheia tem cerca de meio grau, e o mindinho tapa-a.
  • Três dedos juntos: cerca de 5°.
  • Punho fechado: cerca de 10°.
  • Palmo aberto, do polegar ao mindinho: cerca de 20° a 25°.

Do horizonte ao ponto por cima da tua cabeça (o zénite) são 90°, ou seja, cerca de nove punhos. Varia um pouco de pessoa para pessoa, mas chega. Vais usar isto em todas as aulas: "a Estrela Polar está a quatro punhos do horizonte".

Como fazer uma boa primeira observação

  • Escolhe uma noite limpa. Vê a previsão do tempo: nuvens altas e finas estragam mais do que parece.
  • Sai 20 minutos. Leva casaco mesmo no verão: parado, à noite, arrefeces depressa.
  • Leva caderno e lápis. Escreve data, hora, local e estado do céu (limpo, nuvens, Lua visível ou não).
  • Não olhes para o telemóvel com o brilho no máximo: estraga a adaptação ao escuro (vês isto na aula 2).

Erros comuns

  • Confundir Vénus com um avião parado ou um objeto estranho. É só o planeta, muito brilhante ao anoitecer ou antes do amanhecer.
  • Achar que a Estrela Polar é a mais brilhante do céu. Não é, tem um brilho médio. Na aula 3 aprendes a encontrá-la.
  • Desistir ao fim de dois minutos porque "não se vê nada". Os olhos ainda não tiveram tempo.

Exercício

  1. Arranja um caderno só para o céu (ou uma nota no telemóvel). Na primeira página escreve: "Plano de observação — [a tua localidade]".
  2. Numa noite limpa, sai 20 minutos para um sítio sem candeeiros a bater nos olhos. Anota data, hora, local e estado do céu.
  3. Aponta o punho fechado para o céu por cima de ti e conta as estrelas que cabem dentro dele. Anota o número.
  4. Escolhe o ponto mais brilhante que vires e decide, com as pistas desta aula, se é estrela, planeta, avião ou satélite. Escreve porquê.

Como sabes que correu bem: tens a primeira entrada do caderno com data, hora, local, uma contagem de estrelas dentro do punho e a identificação justificada de um ponto brilhante.

O restante fica na tua biblioteca.

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