Aula de prévia
Como funciona a compostagem e qual é o sistema certo para ti
20 minutos · Compostagem doméstica do zero: o teu compostor a funcionar
No fim desta aula vais perceber o que acontece dentro de um compostor, conhecer as quatro coisas de que ele precisa para funcionar e escolher o sistema certo para a tua casa: compostor no quintal, compostor na varanda ou caixa de minhocas. É a primeira peça do projeto deste curso: um compostor a funcionar, com rotina semanal e caderno de registo, que te vai dar composto para vasos e canteiros.
Porque vale a pena
Uma parte grande do lixo de uma casa são restos de cozinha. No saco do lixo pesam e cheiram mal ao fim de dois dias. Num compostor transformam-se num material escuro e solto que melhora a terra dos vasos e da horta. Não precisas de jardim grande nem de ferramentas caras.
O que acontece lá dentro
A compostagem é a decomposição controlada de restos orgânicos por bactérias, fungos e pequenos animais (minhocas, bichos-de-conta, ácaros). Eles comem os restos e deixam uma matéria parecida com terra de bosque. O teu papel é dar-lhes quatro condições:
- Verdes: restos ricos em azoto, como fruta, legumes, borras de café e relva cortada. São húmidos e decompõem-se depressa.
- Castanhos: restos ricos em carbono, como folhas secas, cartão, papel de cozinha, palha e ramos finos. São secos e dão estrutura e espaço para o ar.
- Água: o conjunto deve estar húmido como uma esponja espremida, nunca encharcado.
- Ar: os organismos que fazem um bom composto precisam de oxigénio. Sem ar, entram outros que produzem o cheiro a podre.
Quase todos os problemas de um compostor vêm de um destes quatro estar em falta ou em excesso. Vais usar esta lista na aula 5.
A regra dos castanhos e verdes
Regra prática: por cada balde de verdes, junta cerca de dois baldes de castanhos, em volume. Não é uma receita exata. Se o compostor está molhado e cheira mal, faltam castanhos. Se está seco e nada muda durante semanas, faltam verdes ou água.
Exemplo resolvido: numa semana juntas 5 litros de restos de cozinha. Para os equilibrar precisas de cerca de 10 litros de castanhos, por exemplo duas braçadas de folhas secas ou três caixas de cereais rasgadas em tiras. É por isso que o erro número um de quem começa é não ter castanhos à mão. No outono, enche uns sacos com folhas secas e guarda-os fechados junto ao compostor: tens castanhos para meses.
Quente ou lento
Se juntares de uma vez muito material bem equilibrado (perto de um metro cúbico), o centro aquece e pode passar dos 50 °C. É a compostagem quente, mais rápida. Em casa vais quase sempre fazer compostagem lenta: juntas pouco a pouco, a temperatura sobe pouco e o composto demora muitas vezes entre seis meses e um ano. Funciona na mesma, só pede mais paciência.
Os três sistemas possíveis
Compostor no quintal
Para quem tem terra: um compostor fechado de plástico, uma caixa de paletes ou uma pilha coberta. Em contacto com o solo, recebe minhocas e escoa a água a mais. Aceita restos de cozinha e do jardim. É o sistema que perdoa mais erros.
Compostor na varanda
Um contentor fechado de 60 a 150 litros, com furos e um tabuleiro por baixo. Funciona se fores rigoroso com os castanhos, porque não há solo para absorver a água a mais. Serve bem para uma ou duas pessoas.
Caixa de minhocas (vermicompostor)
Caixas empilhadas com minhocas próprias para compostagem. Ocupa pouco, cabe numa marquise ou arrecadação e não cheira mal se for bem gerida. Dá um composto muito fino. Tem limites: as minhocas não aguentam calor forte nem gostam de certos restos.
Como escolher
- Tens solo onde pousar o compostor? Se sim, começa no quintal.
- Se não tens: há um sítio abrigado do sol direto e da chuva (marquise, arrecadação, cozinha)? Então a caixa de minhocas é a melhor aposta.
- Se só tens uma varanda aberta, um compostor fechado de varanda, posto na zona com mais sombra, aguenta melhor o sol e a chuva do que as minhocas.
- Quanto produzes? Como indicação, uma caixa de minhocas pequena dá conta de uns 2 a 3 litros por semana depois de estabilizada. Se produzes muito mais, precisas de um compostor maior ou de dois sistemas.
Erros comuns logo no início
- Começar sem castanhos guardados.
- Pôr o compostor debaixo da janela do vizinho.
- Esperar composto ao fim de um mês e desistir.
Exercício
- Durante três dias, junta num recipiente com tampa todos os restos de fruta, legumes, borras de café e saquetas de chá. Mede o volume com um copo medidor ou uma embalagem de 1 litro.
- Divide por três e multiplica por sete: tens uma estimativa semanal. Escreve o número.
- Responde às quatro perguntas de "Como escolher" e escreve o sistema que vais montar e porquê.
- Abre um caderno ou uma nota no telemóvel com o título "Caderno do compostor". Vais registar aqui tudo ao longo do curso.
Como sabes que correu bem: tens escrito o volume semanal de restos da tua casa, o sistema escolhido com a razão da escolha e o caderno do compostor criado.
O restante fica na tua biblioteca.
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