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Aula de prévia

Anatomia da bicicleta e a verificação antes de cada saída

30 minutos · Manutenção de bicicleta do zero: cuida da tua bicicleta em casa

No fim desta aula vais saber o nome e a função das peças que importam na tua bicicleta, vais ter uma ficha com os dados dela e vais fazer, em menos de três minutos, a verificação que evita a maioria dos sustos na estrada.

Porque é que isto vem primeiro

A maioria dos problemas não é avaria grave: é pneu com pouco ar, travão que trava tarde, roda mal apertada ou corrente seca. Tudo isto se vê em minutos, sem ferramentas especiais.

As peças, por grupos

Não precisas de decorar tudo. Pensa na bicicleta em cinco sistemas:

  • Quadro e garfo: o esqueleto. O garfo segura a roda da frente e roda dentro da caixa de direção.
  • Rodas: cada uma tem cubo (o centro, com rolamentos), raios, aro, pneu e, na maioria dos casos, uma câmara de ar com válvula. A roda prende-se ao quadro com porcas, com um aperto rápido (alavanca e porca do lado oposto) ou com um eixo passante roscado.
  • Transmissão: pedais, pedaleiro com os pratos à frente, corrente, cassete (os carretos atrás), desviadores traseiro e dianteiro e os manípulos das mudanças no guiador.
  • Travões: manetes no guiador, cabos ou tubos e o mecanismo junto à roda. Os mais comuns são os de ferradura (V-brake), que apertam o aro com calços de borracha, e os de disco, que apertam um disco metálico com pastilhas. Há discos mecânicos (com cabo de aço) e hidráulicos (com tubo cheio de óleo). Muitas bicicletas de cidade têm ainda travão de tambor ou de contrapedal.
  • Posição: selim, espigão do selim, guiador e avanço (a peça que liga o guiador ao garfo).

Faz a ficha da tua bicicleta

Pega num papel ou numa nota no telemóvel e escreve:

  1. Tipo de bicicleta (cidade, estrada, montanha, híbrida, dobrável).
  2. Medida dos pneus, que está gravada no flanco. Aparece em formatos como 700x32c, 29x2.25 ou 28-622 (largura-diâmetro, o formato mais fiável).
  3. Pressão mínima e máxima indicadas no flanco do pneu, em bar e/ou psi.
  4. Tipo de válvula: Presta (fina, com uma porca pequena no topo), Schrader (igual à dos carros) ou Dunlop (comum em bicicletas de cidade).
  5. Tipo de travões à frente e atrás.
  6. Número de mudanças (conta os carretos atrás e os pratos à frente).
  7. Como prendem as rodas: porca, aperto rápido ou eixo passante.

Esta ficha evita comprar a câmara ou a bomba erradas.

A verificação antes de cada saída

Faz sempre pela mesma ordem, de cima para baixo e da frente para trás. Com prática demora dois a três minutos.

1. Pneus

Aperta o pneu com o polegar. Se afunda com facilidade, falta ar. O certo é encher com a bomba de manómetro até um valor dentro do intervalo do flanco. Nunca passes o máximo. Como ponto de partida, pessoas mais leves e pisos irregulares ficam mais perto do mínimo; mais peso e alcatrão liso, mais perto do máximo. Aproveita para rodar a roda devagar e procurar cortes, vidros cravados ou a lona à vista. Lembra-te: 1 bar são cerca de 14,5 psi.

2. Travões

Com a bicicleta parada, aperta cada manete com força. Deve ficar firme antes de tocar no guiador; se encosta ao guiador, não sais. Depois empurra a bicicleta para a frente com cada manete apertada: a roda correspondente tem de bloquear. Confirma qual manete trava qual roda, porque varia entre bicicletas e o travão da frente é o mais potente.

3. Rodas bem presas

Se tens aperto rápido, a alavanca deve estar fechada, encostada ao quadro ou ao garfo, e fechar com força suficiente para deixar marca na palma da mão. Não é uma porca de borboleta para rodar: é uma alavanca que se fecha. Levanta a frente uns centímetros e deixa cair: não pode haver folga nem barulho metálico. Faz o mesmo atrás. Com porcas, confirma que não rodam à mão.

4. Corrente e mudanças

Roda os pedais para trás. A corrente deve correr sem saltos, sem rangidos e com um brilho de óleo, não preta e grossa. Se chia ou está seca, a aula 3 resolve.

5. Guiador, selim e luzes

Prende a roda da frente entre as pernas e tenta rodar o guiador: não pode mexer. Tenta rodar o selim: também não. Liga as luzes e confirma a campainha, se a tiveres.

Erros comuns

  • Encher "a olho". O polegar deteta falta de ar, não acerta a pressão.
  • Achar que o aperto rápido se aperta a rodar a alavanca como um parafuso. Fica solto e a roda pode sair.
  • Sair com um travão fraco porque "o outro funciona". Um travão só não chega para parar a tempo.

Exercício

  1. Preenche a ficha da tua bicicleta com os sete dados acima.
  2. Faz a verificação completa, pela ordem, e cronometra.
  3. Enche os pneus com manómetro para um valor dentro do intervalo do flanco e anota o valor na ficha.
  4. Escreve numa linha tudo o que encontraste fora do normal (por exemplo, calço gasto ou corrente seca).

Como sabes que correu bem: tens a ficha preenchida, os pneus estão dentro do intervalo indicado no flanco, as duas manetes bloqueiam a roda sem tocar no guiador e consegues repetir a verificação em menos de três minutos.

O restante fica na tua biblioteca.

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