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Aula de prévia

Porque o feedback falha (e como perceber isso em 5 minutos)

25 minutos · Como dar feedback no trabalho: claro, respeitoso e útil

No fim desta aula vais saber reconhecer os três defeitos que estragam quase todo o feedback no trabalho: ser vago, chegar tarde e soar a ataque pessoal. E vais ter escolhido as três conversas reais que vais preparar ao longo do curso.

O que é feedback, afinal

Feedback é informação sobre o efeito de uma coisa que alguém fez, dada para que essa pessoa possa decidir se repete ou se muda. Não é um desabafo, não é uma avaliação do carácter de ninguém e não é um sermão. Se a pessoa sai da conversa sem saber o que fazer de diferente, ou o que deve continuar a fazer, não houve feedback. Houve só uma opinião.

Quase sempre falha pela forma, e a forma tem três armadilhas previsíveis.

Defeito 1: vago

Exemplos que ouves todas as semanas:

  • "Tens de ser mais proativo."
  • "A apresentação não estava lá grande coisa."
  • "Excelente trabalho!"

A pessoa não sabe a que te referes. "Proativo" é avisar mais cedo? Propor soluções? Ela vai adivinhar, muitas vezes mal, ou ignorar. Até o elogio vago falha: não diz o que repetir.

Teste da câmara: uma câmara de vídeo conseguiria filmar aquilo que estás a descrever? "Ser proativo" não se filma. "Soubeste do atraso do fornecedor na terça e só avisaste a equipa na sexta" filma-se. Se não passa no teste da câmara, é vago.

Defeito 2: tardio

O exemplo clássico é guardar tudo para a avaliação anual. Em dezembro alguém ouve: "Em março, naquela reunião com o cliente, interrompeste-me três vezes." Isto falha por três razões:

  • A memória apagou os pormenores e a conversa vira "lembro-me de outra maneira".
  • A pessoa repetiu o comportamento durante nove meses sem saber.
  • Sente-se emboscada: "Porque é que não me disseste logo?"

Regra prática: dá o feedback o mais perto possível do momento, idealmente no próprio dia ou nos dois dias seguintes. Mas não a quente. Se ainda estás irritado ao ponto de a voz te mudar, espera até conseguires falar em tom normal. A exceção é a segurança: se alguém está a fazer algo perigoso, dizes na hora.

Defeito 3: pessoal

"És desorganizado." "És sempre tão negativo." "Não tens cuidado nenhum." Isto são rótulos sobre quem a pessoa é, não sobre o que fez. Quando ouves um rótulo, defendes a tua identidade, e a conversa deixa de ser sobre o trabalho.

Palavras de alarme a cortar: "és", "sempre", "nunca", "toda a gente acha". E cuidado com as intenções que atribuis: "fizeste isto de propósito" ou "não te interessa a equipa" são suposições. Tu vês comportamentos. Não vês intenções.

Exemplo resolvido: os três defeitos juntos

A Rita, tua colega, envia relatórios com erros nos totais. A versão típica, dita na avaliação de fim de ano: "Rita, és um bocado descuidada com os relatórios." É vaga (que relatórios? que erro?), tardia (meses depois) e pessoal ("és descuidada").

A versão útil, na mesma tarde e a sós: "Rita, no relatório de vendas que enviaste hoje de manhã, o total de outubro aparecia como 12 mil em vez de 21 mil. O diretor usou esse número na reunião e tive de o corrigir à frente dele. Consegues confirmar os totais antes de enviares? Se quiseres, mostro-te a verificação rápida que eu faço."

Mudou tudo: momento concreto, facto verificável, efeito real e um pedido que ela cumpre amanhã. Nenhum adjetivo sobre a Rita.

Porque é que fugimos de dar feedback

  • Medo de estragar a relação.
  • Não saber como começar.
  • "Não é o meu papel, não sou chefe."
  • "Ela já deve saber."

O silêncio também custa: o problema cresce, a irritação acumula-se e sai da pior maneira.

O teu projeto: três conversas

Ao longo do curso vais preparar três conversas reais, com guião, e registar o que aconteceu. Para escolher bem:

  • Situações reais, recentes ou que se repetem.
  • Com pessoas com quem vais continuar a trabalhar.
  • Uma boa mistura: um feedback positivo, um corretivo a um colega ou a alguém da equipa, e um dirigido à chefia (se não tens chefia, escolhe um par ou um cliente interno).

Fica de fora: assédio, discriminação, ameaças ou suspeitas de fraude. Isso não se resolve com feedback informal. Segue os canais próprios da tua organização (chefia direta, recursos humanos) e, se necessário, procura aconselhamento jurídico.

Exercício

  1. Abre um documento no computador ou uma página do caderno com o título "3 conversas".
  2. Lista cinco situações de trabalho em que te apeteceu dizer alguma coisa a alguém, boa ou má, e não disseste (ou disseste mal).
  3. Para cada uma, escreve a frase que dirias hoje, sem pensar muito. Depois marca ao lado V (vaga), T (tardia) ou P (pessoal), conforme os defeitos que encontras.
  4. Escolhe três situações seguindo a mistura sugerida e escreve para cada uma: nome da pessoa, data aproximada e o que aconteceu em duas linhas.

Como sabes que correu bem: tens três situações escolhidas, cada uma com nome, data e a tua frase "antes" com pelo menos um defeito identificado e marcado.

O restante fica na tua biblioteca.

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